Projeto fomenta produção musical no Instituto Penal de São Leopoldo
Iniciativa da Associação Viver Sem Cárcere tem participação de profissionais do setor cultural
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Reunidos no pátio do Instituto Penal de São Leopoldo (IPSL), cerca de 30 detentos acompanharam a instalação de mesa de som, alto-falantes, microfone e computador no início da tarde de segunda-feira (4/5). A montagem do estúdio musical improvisado em um dos corredores externos da unidade prisional concentrou a atenção dos internos.
No entanto, este tipo de iniciativa não é novidade no estabelecimento prisional. A Associação Viver Sem Cárcere desenvolve ações contínuas no local. Pelo menos uma vez por mês, realiza oficinas, rodas de conversa e atendimentos voltados ao fortalecimento humano, social e cultural dos participantes. “A presença de pessoas com informações sobre assuntos variados ajuda no cumprimento da pena e na convivência entre eles, incentiva assuntos diferentes e prepara para quando saírem daqui, na reinserção na sociedade”, avalia o diretor Diego Linhares. As propostas estão alinhadas às políticas de tratamento penal da Polícia Penal e do trabalho da própria unidade. “Todos os meses realizamos palestras e oficinas com especialistas sobre a temática do mês, como saúde do homem, violência contra a mulher, doenças sexualmente transmissíveis, tudo para informar e ocupar o tempo com coisas positivas”, completa.
A atividade cultural se insere no projeto “O Direito de Recomeçar: Vozes em Cena”, com uma etapa prática de captação musical. Os participantes puderam apresentar as suas rimas e gravar faixas com Thiago Ramos, da Rama Records, produtor cultural que atua no desenvolvimento e lançamento de artistas independentes, e Leandro Alves, produtor musical e engenheiro de áudio, responsável pela L&A Produções. A ação teve coordenação de Rafael Guedes, presidente da Associação Viver sem Cárcere, e de Alequis Nunes, educador social voluntário da entidade.
O apenado L.C.R., de 28 anos, gravou faixas dentro da proposta, versando sobre vida no cárcere, família e futuro. “O projeto nasce da compreensão de que a arte, especialmente a música, pode abrir caminhos de reflexão e reconstrução. Mais do que identificar talentos, a proposta busca criar espaços de expressão, estimular a criatividade, fortalecer vínculos positivos e apresentar novas possibilidades de futuro por meio da cultura”, explica Guedes.