Trabalho prisional impulsiona produção de acessórios pet no Presídio de Santo Ângelo
O projeto, formalizado por termo de cooperação, possibilita que sete apenados atuem na confecção artesanal das peças
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Do segundo semestre de 2025 até o final de fevereiro deste ano, a produção já alcançou aproximadamente 165 mil adesivos groomer; 79,6 mil adesivos emborrachados; 36,5 mil bandanas; 15,7 mil adesivos sortidos; 8,9 mil laços prontos; 3,3 mil gravatinhas; 1,8 mil colarinhos; e 360 passa-fitas, evidenciando o potencial do trabalho prisional como ferramenta de capacitação e reintegração social.
O projeto, formalizado por termo de cooperação, possibilita que sete apenados atuem na confecção artesanal de acessórios destinados a cães e gatos, posteriormente comercializados em estabelecimentos do segmento. Os itens são costurados manualmente, e a atividade laboral garante aos participantes o benefício da remição de pena na proporção de um dia a menos na condenação a cada três dias trabalhados, conforme estabelece a Lei de Execução Penal. Além disso, os trabalhadores recebem remuneração de até 75% do salário mínimo nacional.
De acordo com a gerente da fábrica, Jocineia Alessandra dos Reis, os apenados selecionados pelos policiais penais precisam demonstrar interesse e comprometimento com a atividade. “O trabalho prisional tem sido de grande valia para a nossa empresa. Inicialmente tínhamos uma demanda por mão de obra que foi suprida, ao mesmo tempo em que contribuímos para a ressocialização dos apenados. A produtividade alcançada é significativa para o nosso negócio”, destacou.
A gestora também ressalta o crescimento da iniciativa desde sua implantação. O projeto começou com apenas dois trabalhadores e atualmente conta com sete, havendo perspectiva de ampliação. “Contamos ainda com o apoio constante dos servidores da Polícia Penal. Acreditamos nesse modelo e gostaríamos de ver mais empresas aderindo a iniciativas semelhantes, pois os resultados têm sido bastante positivos”, acrescentou.
A ação integra a política institucional de incentivo ao trabalho no sistema prisional, o projeto Mãos que Reconstroem, estratégia reconhecida como instrumento essencial para o desenvolvimento de habilidades profissionais, fortalecimento da disciplina e ampliação das oportunidades de reintegração social após o cumprimento da pena.
Para a delegada da 3ª DRPP, Darlen Bugs, a parceria evidencia como a cooperação entre o poder público e a iniciativa privada pode gerar resultados positivos tanto para a sociedade quanto para o sistema prisional. “Além de contribuir para a disciplina e a organização no ambiente carcerário, o trabalho permite que os apenados adquiram experiência profissional e compreendam o valor da atividade produtiva, fatores essenciais para a construção de novos projetos de vida após o cumprimento da pena. Nosso objetivo é ampliar cada vez mais iniciativas dessa natureza, fortalecendo políticas que promovam dignidade, responsabilidade e efetiva reintegração social.”